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PF efetua 13 prisões por fraudes envolvendo Master e BRB

Operação Compliance Zero levou à prisão de ex-executivos e ao bloqueio de até 27,7 bilhões de reais.

17/04/2026 às 01:38
Por: Redação

Ao longo da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal já realizou a prisão de 13 pessoas investigadas por envolvimento em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes nas operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A ação foi deflagrada em novembro de 2025 com o objetivo de aprofundar as apurações sobre práticas ilícitas identificadas nessas negociações.

 

Na última quinta-feira, dia 16, foram detidos preventivamente Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco público do Distrito Federal, e Daniel Monteiro, advogado apontado como o responsável pela operacionalização jurídica e financeira do esquema investigado. O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master, permanece preso desde o início de março, tendo sido considerado central na montagem do suposto esquema fraudulento.

 

Essas duas prisões recentes correspondem à quarta etapa da Operação Compliance Zero e foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Elas se somam a outras doze detenções realizadas nas três fases anteriores da operação. O número de pessoas presas é inferior ao total de mandados expedidos, uma vez que Daniel Vorcaro foi alvo de duas prisões, a primeira em novembro de 2025, na etapa inicial da investigação, e outra no início de março deste ano, durante a terceira fase.

 

Desde o início da operação, a Polícia Federal executou 96 mandados de busca e apreensão distribuídos por seis estados: Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Com base em pedidos da Polícia Federal e do Ministério Público, foi determinado o sequestro ou bloqueio de bens dos suspeitos, até o valor de 27,7 bilhões de reais, além do afastamento de investigados que ocupavam cargos públicos.

 

O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, afirmou na divulgação do balanço das quatro fases iniciais da Compliance Zero:

 

“Importante registrar que temos uma operação extremamente complexa, com fases e fatos distintos.”

 

A deflagração da primeira fase ocorreu em 18 de novembro de 2025, após mais de um ano de investigação iniciada por solicitação do Ministério Público Federal. As apurações focaram na venda de títulos de crédito fraudulentos ou inexistentes do Banco Master para o BRB. Além da prisão de Daniel Vorcaro e outros executivos do Master, a Justiça Federal determinou o afastamento imediato, por 60 dias, do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro do banco, Dario Oswaldo Garcia.

 

William Murad detalhou que, a partir daquela primeira etapa, diversos desdobramentos ocorreram, sendo que a fase mais recente é resultado de indícios colhidos em novembro do ano anterior.

 

“A partir desta fase, tivemos diversos desdobramentos.”

 

Segundo Murad, o foco da primeira fase esteve nas infrações atribuídas ao Banco Master, enquanto a rodada mais recente concentrou esforços sobre o BRB. O objetivo foi investigar a corrupção de gestores do banco distrital e o funcionamento do esquema de lavagem de dinheiro, ainda sem detalhamento integral das fraudes.

 

“Na primeira fase, o foco era as fraudes perpetradas pelo Master. Hoje, o foco foi mais no lado do BRB, não ainda no detalhamento das fraudes, mas sim na corrupção dos gestores do banco [distrital] e todo o esquema de lavagem de dinheiro.”

 

No anúncio dos dados da operação, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Cesar Lima, ressaltou que a Compliance Zero representa apenas uma das iniciativas que o governo federal planeja intensificar nos próximos dias para enfrentar o crime organizado.

 

“A Compliance Zero é apenas uma das ações que se inscreverá no rol de iniciativas de combate ao crime organizado que o governo federal deve adotar com mais ênfase nos próximos dias.”

 

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