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Conflito no Irã pode empurrar 30 milhões à pobreza, alerta ONU

Alexander De Croo, da ONU, destaca que escassez de fertilizantes e energia já afeta a produtividade agrícola e sobrecarrega ações humanitárias.

23/04/2026 às 19:14
Por: Redação

A guerra envolvendo o Irã tem o potencial de levar mais de 30 milhões de pessoas de volta à condição de pobreza. Essa projeção foi apresentada nesta quinta-feira (23) por Alexander De Croo, o chefe de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), que citou interrupções no fornecimento de combustível e fertilizantes como os principais fatores para essa regressão social.

 

De acordo com o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que concedeu entrevista à Reuters, a escassez de fertilizantes já provocou uma redução significativa na produtividade agrícola. Ele enfatizou que este problema é agravado pelo bloqueio de navios de carga na importante rota comercial do Estreito de Ormuz, onde Irã e Estados Unidos disputam o controle. De Croo alertou que essa situação tende a comprometer a produção agrícola ainda mais adiante neste ano.

 

Impactos da Crise na Segurança Alimentar e Economia

 

O ex-primeiro-ministro belga detalhou as consequências abrangentes da crise, incluindo a diminuição das remessas de dinheiro e a carência energética.

 

"A insegurança alimentar atingirá seu nível máximo em alguns meses, e não há muito que se possa fazer a respeito"

 

Ele reforçou a gravidade da situação, afirmando que os efeitos já estão em curso, independentemente da duração do conflito.

 

"Mesmo que a guerra parasse amanhã, esses efeitos já estão presentes e empurrarão mais de 30 milhões de pessoas de volta à pobreza"

 

A produção de fertilizantes global tem grande parte concentrada no Oriente Médio, e aproximadamente um terço de todo o suprimento mundial transita pelo Estreito de Ormuz. Essa região estratégica é um ponto de tensão entre o Irã e os Estados Unidos.

 

O cenário de aumento dos preços dos alimentos, que sobrecarrega as populações mais vulneráveis em todo o mundo, já havia sido motivo de alerta neste mês por instituições como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Programa Mundial de Alimentos da ONU.

 

De Croo também destacou o custo econômico indireto do conflito, que já resultou na eliminação de uma estimativa entre 0,5% e 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

 

"Coisas que levam décadas para serem acumuladas, são necessárias oito semanas de guerra para destruí-las"

 

Esforços Humanitários Sob Pressão

 

A crise atual tem exercido uma forte pressão sobre as iniciativas humanitárias globais. O financiamento disponível está em declínio, enquanto as necessidades aumentam em regiões que já enfrentam emergências graves, como Sudão, Gaza e Ucrânia.

 

A situação é tão crítica que, conforme De Croo, as agências humanitárias serão forçadas a tomar decisões difíceis.

 

"Teremos que dizer a certas pessoas: sinto muito, mas não podemos ajudá-los"

 

O impacto dessa falta de assistência será severo para os mais dependentes.

 

"As pessoas que estariam sobrevivendo com ajuda não terão isso e serão empurradas para uma vulnerabilidade ainda maior."

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