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Orquestra Pizindim lança álbum e homenageia mestres do choro

Grupo de Brasília celebra o Dia Nacional do Choro com single, show e resgate de arranjos inéditos de Pixinguinha.

23/04/2026 às 13:04
Por: Redação

A Orquestra Pizindim, um conjunto musical de Brasília, realiza nesta quinta-feira, dia 23 de abril, a estreia do single “O Pulo do Sapo”. A canção, um maxixe assinado por Leonardo Benon, cavaquinista da própria orquestra, foi composta em reverência a Evandro Barcellos, figura essencial na fundação do Clube do Choro de Brasília em 1977 e falecido em 2016. Este lançamento ocorre no Dia Nacional do Choro.

 

“O Pulo do Sapo” já está disponível em todas as plataformas digitais de áudio, marcando a primeira revelação do aguardado álbum da Orquestra Pizindim. Composta por treze músicos fixos, que são verdadeiros virtuoses em instrumentos de sopro, cordas e percussão, a Pizindim se destaca como a primeira orquestra brasiliense totalmente dedicada ao choro, seguindo os passos de Evandro Barcellos na construção da história musical da capital federal.

 

Um show de pré-lançamento está agendado para a noite desta sexta-feira, 24 de abril, às 20h, no Teatro Levino de Alcântara, localizado na Escola de Música de Brasília. Durante a apresentação, além de “O Pulo do Sapo”, o público terá a oportunidade exclusiva de ouvir algumas das outras faixas que compõem o disco. O álbum ainda se encontra em fase final de produção e não possui uma data de lançamento definida, tornando este concerto a primeira chance de desfrutar das novas composições.

 

A formação da Orquestra Pizindim remonta a três anos atrás, quando seus integrantes se uniram para celebrar o Dia Nacional do Choro, da mesma forma que fazem agora. A oficialização desta data comemorativa, em 2000, foi uma iniciativa do renomado bandolinista Hamilton de Holanda, durante o período em que residia em Brasília.

 

Homenagem a Pixinguinha e Legado

 

O nome da orquestra, “Pizindim”, é uma homenagem direta a Alfredo da Rocha Vianna Filho, mais conhecido como Pixinguinha (1897-1973), maestro, instrumentista e compositor. “Pizindim” era o apelido de infância do artista que se tornaria um dos maiores ícones da música brasileira.

 

A Orquestra Pizindim se propôs a resgatar e valorizar um aspecto menos conhecido do trabalho de Pixinguinha: sua vasta produção como arranjador, que se estendeu do final da década de 1920 até os anos 1950.

 

“Acho que só quem é do universo do choro é que sabe de fato quem é Pixinguinha e qual é a sua importância. A maioria das pessoas o conhece apenas como o compositor de ‘Carinhoso’”, declarou Bruno Patrício, que atua como saxofonista, diretor musical da Orquestra Pizindim e produtor executivo do novo álbum.

 

Raridades da Central do Brasil

 

Três das músicas já gravadas para o álbum da Orquestra Pizindim destacam os arranjos elaborados por Pixinguinha.

 

Duas dessas faixas são a valsa “Só Tu Não Sentes” e a marchinha “Tenho Um Desejo”, ambas criações de um pianista carioca identificado como J. F. Fonseca Costa, ou simplesmente “Costinha”. Este compositor era contemporâneo de Ernesto Nazareth (1863–1934) e trabalhava na Estrada de Ferro Central do Brasil. A ferrovia, na época, conectava o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, e era um local que empregava muitos chorões, como o violonista Satyro Bilhar (1848-1926) e os compositores Cândido das Neves (1899-1934) e Juca Kalut (1857-1822).

 

As partituras dos arranjos de Pixinguinha para essas duas composições datam de 1957 e estão preservadas no acervo do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. Bruno Patrício ressalta que “são dois arranjos inéditos para músicas, praticamente, inéditas”, mencionando a existência de pouquíssimas gravações anteriores, hoje esquecidas.

 

Outra descoberta da Orquestra Pizindim que recebeu a contribuição de Pixinguinha como arranjador é a polca "Alfredinho no Choro", composta por Alfredinho Flautim (nome artístico de Alfredo José Rodrigues, 1894-1958). A versão original foi gravada em 1910, mas em 1949, Pixinguinha criou um novo arranjo para a peça.

 

Composições de Pixinguinha e o “Carinhoso”

 

O próprio repertório de Pixinguinha é representado em duas faixas do álbum. Uma delas é o maxixe “Dando Topada”, que integrou a trilha sonora de “Um Dia Qualquer”, o primeiro filme de ficção produzido no Pará, dirigido por Líbero Luxardo em 1965.

 

Segundo Bruno Patrício, o título da música provavelmente se deve às interrupções súbitas em sua execução. “Sempre tem uma topada ali para todos os instrumentos”, ele explica.

 

A segunda composição de Pixinguinha presente no disco e no show da Orquestra Pizindim é o clássico choro “Carinhoso”. Apesar de ser uma das músicas brasileiras mais regravadas, sua trajetória até o sucesso foi cheia de obstáculos.

 

Composta em 1917, a canção só foi gravada em disco em 1928 e, inicialmente, foi mal recebida pela crítica, que apontava uma suposta influência do jazz. O reconhecimento só veio de forma casual em 1937, quando Orlando Silva, o “cantor das multidões”, a gravou. Isso aconteceu um ano após João de Barro (Braguinha) criar a letra para incluí-la no espetáculo “Parada das Maravilhas”.

 

Diante da rica e complexa história de “Carinhoso”, Bruno Patrício optou por criar um arranjo que combinasse diferentes montagens musicais da canção. “Fui pescando o que eu achava de mais representativo”, ele detalhou.

 

Novas Vozes do Choro

 

Além de revisitar o cancioneiro tradicional brasileiro, a Orquestra Pizindim também destaca a vitalidade contemporânea do choro por meio de composições de seus próprios integrantes. Exemplos incluem “O Pulo do Sapo” (já mencionada), “Salve João da Baiana” e “Maxixe Pizindim”, estas duas últimas criadas por Bruno Patrício.

 

As demais faixas do álbum incluem obras de Paulinho da Viola e Hamilton de Holanda. Do bandolinista, a Pizindim interpreta “Maxixe do César”, uma homenagem de Hamilton ao seu irmão Fernando César, violonista de 7 cordas que integra a orquestra e é reconhecido como um dos grandes chorões da atualidade.

 

A orquestra escolheu o choro “Só o Tempo”, de Paulinho da Viola, composto em 1982. A letra da música aborda temas como aprendizagens amorosas e o “saldo de sentimentos” acumulados ao longo da vida. Na gravação, todos os naipes da Pizindim acompanham a cantora Ana Reis, uma artista de Brasília que também faz parte da história do choro local.

 

A gravação do álbum da Pizindim teve início em novembro do ano passado, com financiamento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal. Caso a orquestra obtenha patrocínio em outros editais culturais, o disco poderá ser lançado em formato físico de LP, e o grupo planeja realizar uma turnê pelas capitais estaduais para apresentar sua interpretação do gênero.

 

Agenda de Lançamento e Integrantes

 

Confira os detalhes sobre os lançamentos da Orquestra Pizindim:

 

  • Single “O Pulo do Sapo” (de Léo Benon): Disponível nas plataformas sonoras a partir de hoje (quinta-feira, 23).

 

  • Show de pré-lançamento:

 

  • Local: Escola de Música de Brasília (Teatro Levino de Alcântara), SGAS II SGAS Quadra 602.

 

  • Data e Hora: Amanhã (sexta-feira, 24), às 20h.

 

A Orquestra Pizindim é composta pelos seguintes músicos:

 

  • Adil Silva (bombardino e trombone)

 

  • Alex Diego (1º trompete)

 

  • André Lindolpho (Sousafone)

 

  • Bruno Patrício (saxofone e direção musical)

 

  • Enrique Sanches

 

  • Fernando César (violão 7 cordas)

 

  • Israel Ronner (tuba)

 

  • Jéssica Carvalho (percussão)

 

  • Juninho Alvarenga (percussão)

 

  • Júnior Viegas (percussão)

 

  • Leander Motta (bateria)

 

  • Léo Benon (cavaquinho)

 

  • Nathália Marques (percussão)

 

  • Peniel Ramos (2º trompete)

 

  • Renata Menezes (clarineta)

 

  • Sérgio Morai (flauta e flautim)

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