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Dourados entra em calamidade após explosão de casos de chikungunya

Vacinação contra chikungunya terá restrições e começa após colapso dos leitos

22/04/2026 às 16:57
Por: Redação

A Prefeitura de Dourados, no Mato Grosso do Sul, declarou estado de calamidade em saúde pública devido ao aumento significativo dos casos de chikungunya. Antes restritos à Reserva Indígena de Dourados, os registros da doença passaram a atingir também bairros urbanos do município.

 

No dia 20 de março, o prefeito Marçal Filho já havia emitido um decreto reconhecendo a situação de emergência em saúde pública no município. Sete dias depois, novo decreto reconheceu o estado de emergência em defesa civil nas regiões acometidas pela chikungunya.

 

A administração municipal informou, em comunicado, que a decisão de publicar o terceiro decreto seguiu orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para coordenar as ações tanto na reserva indígena quanto na zona urbana do município diante do agravamento da epidemia.

 

Segundo o informe, a cidade enfrenta um quadro epidemiológico crítico, com mais de 6.186 notificações prováveis de chikungunya e uma taxa de positividade de 64,9%. O Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município também apresentou dados que apontam para a extrapolação da capacidade instalada, com ocupação de leitos de internação em cerca de 110%, o que, conforme o comunicado, gera "impossibilidade de resposta assistencial oportuna até mesmo para casos graves".

 

O decreto de calamidade em saúde pública tem vigência de 90 dias a partir da publicação.

 

Início da vacinação e restrições para aplicação

Está previsto para a próxima segunda-feira, 27 de maio, o início da campanha de vacinação contra a chikungunya em Dourados. O primeiro lote de doses chegou ao município na noite da sexta-feira, 17 de maio.

 

Nos dias 22 e 23 de maio, profissionais de enfermagem receberão capacitação para orientar a população sobre restrições à vacina e identificar possíveis comorbidades antes da aplicação.

 

De acordo com as regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde, apenas pessoas com idade entre 18 e 59 anos podem ser imunizadas. A meta inicial é vacinar ao menos 27% desse público-alvo, estimado em aproximadamente 43 mil pessoas.

 

Há várias restrições para o recebimento da vacina. Não poderão ser imunizadas:

 

  • Pessoas grávidas ou lactantes;
  • Pessoas sob uso de medicamentos imunossupressores, como corticoides em altas doses;
  • Pessoas com imunodeficiência congênita;
  • Pessoas em tratamento oncológico com quimioterapia e radioterapia;
  • Transplantados de órgão sólido;
  • Transplantados de medula óssea há menos de dois anos;
  • Pessoas que vivem com HIV/aids;
  • Pessoas diagnosticadas com doenças autoimunes, incluindo lúpus e artrite reumatoide;
  • Pessoas que possuam pelo menos duas doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doenças pulmonares crônicas, doenças renais crônicas, obesidade, doenças hepáticas crônicas e câncer (em tratamento ou em remissão).

 

Também estão impedidos de receber a vacina indivíduos que tenham apresentado chikungunya nos últimos 30 dias; estejam com febre alta no momento da vacinação; tenham tomado outra vacina de vírus atenuado nos 28 dias anteriores; ou tenham recebido vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias.

 

A expectativa do município é que a vacinação avance em ritmo mais lento, já que todos os candidatos à imunização deverão passar por avaliação médica antes da aplicação da dose. A distribuição das vacinas para todas as salas de vacinação do município, incluindo as unidades de saúde indígena, está marcada para o dia 24 de maio.

 

O calendário inclui ainda uma ação especial em formato drive-thru, a ser realizada no feriado de 1º de maio, das 8h ao meio-dia, no pátio da Prefeitura de Dourados.

 

A vacina contra chikungunya foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025 e passará a ser administrada de forma estratégica em regiões consideradas de risco potencial. A expectativa é que cerca de 20 municípios, distribuídos em seis estados, participem da primeira etapa de vacinação.

 

"A seleção dos municípios considerou desde fatores epidemiológicos, relacionados à potencial ocorrência de casos de chikungunya em regiões onde o vírus já está circulando, até o tamanho populacional dos municípios e a facilidade operacional de se implementar uma nova vacina no sistema local de saúde em um curto prazo", informou a prefeitura.


 

Dados da epidemia e ações emergenciais

Até o dia 20 de maio, Dourados contabilizava 4.972 casos prováveis da doença, dos quais 2.074 foram confirmados. Foram descartados 1.212 casos e outros 2.900 permanecem sob investigação. Oito mortes causadas por complicações da chikungunya foram confirmadas, sendo sete delas entre moradores da reserva indígena.

 

No final de março, o Ministério da Saúde autorizou o repasse emergencial de 900 mil reais para ações de vigilância, assistência e controle da chikungunya em Dourados. Conforme informado pela pasta, o valor será repassado em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde para o fundo municipal.

 

Segundo o ministério, os recursos podem ser utilizados para fortalecer estratégias como a vigilância em saúde, intensificar o controle do mosquito Aedes aegypti, aprimorar a assistência à população e apoiar equipes diretamente envolvidas no atendimento dos casos.

 

Informações sobre a chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose causada por vírus transmitido pela picada de fêmeas do mosquito do gênero Aedes. No contexto brasileiro, o vetor responsável pela transmissão é o Aedes aegypti.

 

O vírus chegou ao continente americano em 2013, provocando epidemias em vários países da América Central e ilhas do Caribe. No Brasil, sua presença foi confirmada por testes laboratoriais no segundo semestre de 2014, inicialmente nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados do país registram transmissão da doença.

 

Em 2023, o Ministério da Saúde destacou a ampliação territorial do vírus, com maior presença na Região Sudeste. Antes disso, a maior incidência se concentrava no Nordeste.

 

Entre as principais manifestações clínicas da chikungunya estão o edema e a dor articular intensa e incapacitante, podendo ocorrer ainda sintomas extra-articulares. Em casos mais graves, pode haver necessidade de internação hospitalar e risco de morte.

 

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