No feriado dedicado a São Jorge, celebrado em 23 de abril no estado do Rio de Janeiro, a 13ª edição do Trem do Choro ocorrerá em comemoração ao Dia Nacional do Choro. O evento também presta homenagem ao nascimento do músico e compositor Alfredo da Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha, e conta com organização em parceria com a SuperVia.
Idealizado em 2012 pelo músico Luiz Carlos Nunuka e demais integrantes da roda de choro do bairro Olaria, na zona norte do Rio, o projeto foi batizado de Instituição Cultural Grupo 100% Suburbanos. Após a repercussão inicial, a SuperVia passou a apoiar a iniciativa a partir do ano seguinte, cedendo um trem para o evento na data dedicada ao gênero musical, possibilitando apresentações de conjuntos de choro nos oito vagões, cada um nomeado em referência a importantes figuras do choro. O primeiro vagão é sempre dedicado a Pixinguinha.
De acordo com Itamar Marques, representante do Coletivo Trem do Choro, que organiza e promove o evento de forma anual, o projeto vem ganhando cada vez mais espaço a cada edição.
“E a cada ano, o Trem do Choro está se espalhando cada vez mais”, afirmou Itamar Marques.
Para participar da viagem musical, basta que o público adquira o bilhete de embarque pelo valor regular da tarifa do transporte.
Neste ano, o Trem do Choro dedica sua homenagem à instrumentista e cantora Nilze Carvalho, nascida em 1969, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A artista é reconhecida nacionalmente como bandolinista, cavaquinista, compositora e intérprete, formada em música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Sua trajetória apresenta conexão intensa com a música popular brasileira, especialmente com o choro instrumental e o samba do Rio de Janeiro.
A escolha de Nilze para ser celebrada tem como objetivo prestar reconhecimento às mulheres em geral, especialmente diante dos episódios de violência e agressão enfrentados por elas no país, conforme informado por Itamar Marques.
“Nada mais justo do que homenagear a mulher através de Nilze Carvalho”, destacou. Nilze ficará no primeiro carro, que tem maquinista. Em cada estação, o trem para convidando o público a integrar-se à festa e ouvir grandes chorinhos.
A presente edição do evento também marca a oficialização do Coletivo Trem do Choro, composto por diversas entidades culturais localizadas na região da Leopoldina.
Segundo Itamar Marques, a participação coletiva é fundamental para manter viva a história do Trem do Choro e difundir a tradição cultural do gênero, que atualmente possui reconhecimento internacional e segue ampliando seu público. Ele estima que, a cada ano, entre seis mil e sete mil pessoas comparecem ao evento.
A programação do Trem do Choro terá início às 10 horas, na Estação Central do Brasil, Plataforma 12, de onde o trem partirá às 11 horas e 18 minutos em direção à Estação Olaria, que recebe, simbolicamente, o nome de Estação do Choro Zé da Velha. Durante o trajeto, conjuntos de choro realizarão apresentações nos diferentes vagões, celebrando a tradição do gênero instrumental brasileiro.
Ao chegarem a Olaria, músicos e participantes seguirão em cortejo pelo Circuito Mestre Siqueira até a Travessa Pixinguinha, local onde viveu o homenageado do dia. Nesse espaço, será realizada uma homenagem especial a Pixinguinha.
Após o cortejo, ocorre uma tradicional roda de choro e uma feira cultural promovida pelo Instituto Cultural Grupo 100% Suburbano na Praça Ramos Figueira, também conhecida como Reduto Pixinguinha. No local, haverá ainda uma ação social organizada em colaboração com o Lions Club.
O evento, que ocorre sempre na mesma data, já se consolidou como um marco no calendário cultural do Rio de Janeiro, promovendo integração social, valorização do choro e reconhecimento de nomes fundamentais da música brasileira, além de dedicar neste ano seu tributo à presença e à resistência feminina, representadas por Nilze Carvalho.