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Rio fortalece Paradas LGBTI+ em encontro por direitos e logística

Lideranças de 35 cidades e bairros se reúnem para compartilhar estratégias e formular recomendações contra o preconceito e em defesa de políticas públicas.

25/04/2026 às 19:15
Por: Redação

As diversas Paradas do Orgulho LGBTI+ no estado do Rio de Janeiro estão unindo esforços para enfrentar desafios logísticos e promover direitos em um Encontro Estadual realizado neste sábado (25) no centro da capital. O evento, que reúne representantes de pelo menos 35 municípios, busca fortalecer a rede de apoio e a troca de experiências para garantir a visibilidade e a luta da comunidade.

 

A organização dos eventos, que celebram o orgulho LGBTI+, vai além da montagem de trios elétricos. Em Madureira, por exemplo, é necessário suspender a fiação elétrica dos postes para a passagem dos veículos. Além disso, as condições climáticas podem impactar a realização, como a chuva, que já impediu o desfile no passado.

 

“Não é igual à Copacabana, na Avenida Atlântica, onde os trios podem colocar coberturas contra a chuva e seguir desfilando tranquilos. Madureira tem outras dificuldades”


explicou Rogéria Meneguel, presidente e organizadora da Parada LGBT+ de Madureira. Ela complementou que, para lidar com essas questões, “Já aconteceu de chover muito em um ano e a Parada não conseguiu andar. Ficou, literalmente, parada. Desde o ano passado, estamos fazendo o evento dentro do Parque de Madureira, para lidar com essas questões”.

 

Os desafios enfrentados por bairros e cidades menores são distintos daqueles vivenciados na capital fluminense. O Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+ tem como objetivo primordial fortalecer a troca de vivências entre as lideranças de diferentes regiões, visando uma atuação mais coesa e eficaz.

 

“É fundamental que as cidades maiores também deem sustentação e suporte político, institucional e cultural para as cidades com maior dificuldade”


afirmou Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, responsável pela organização da Parada de Copacabana. Ele ressaltou a importância da colaboração: “O que deu certo para um pode servir de referência para outro. E nos reunimos para pensar juntos quais são as principais pautas da comunidade. Unidos, aumentamos as vozes e damos mais visibilidade para nossas lutas”.

 

Superando o conservadorismo e buscando apoio

 

A organização das Paradas não se restringe apenas a questões de estrutura e logística, mas também envolve o enfrentamento de reações conservadoras que tentam limitar os direitos e as demandas da população LGBTI+. Rafael Martins, presidente do coletivo Arraial Free, que organiza a manifestação em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, relatou que os últimos 14 anos foram marcados por uma luta contínua para levar o movimento às ruas.

 

“O município ainda tem muitas pessoas preconceituosas, sabe? Mas estamos resistindo e mostrando para a nossa região, muito conservadora, que nós existimos, estamos ali e que precisamos de políticas públicas para a população LGBTI+”


disse Rafael. Ele detalhou como as experiências locais contribuem para o debate coletivo: “Nós nos movimentamos, antes mesmo da Parada, com os comerciantes para pedir apoio e patrocínio. Contamos com parceiros na hotelaria e em mercados. Às vezes, é só um engradado de água, mas que já ajudam muito. O que eu tento levar para todo mundo é que não precisa ficar fissurado apenas na Prefeitura, no apoio institucional. Também podemos dar as mãos para quem está do nosso lado e avançar juntos”.

 

Colaboração e metas para o futuro

 

O evento, que não acontecia há dez anos, é organizado pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+. Ele conta com o suporte do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, do Teatro Carlos Gomes e da Secretaria Municipal de Cultura. Durante todo o dia, diversas rodas de debates estão programadas para abordar temas cruciais, como:

 

a estrutura institucional e a viabilidade dos eventos;

 

a organização prática das Paradas;

 

o engajamento social e o voluntariado;

 

a busca por apoios e patrocínios;

 

a promoção de direitos e a sustentabilidade ambiental;

 

e as agendas socioculturais.

 

Uma das metas do encontro é a construção coletiva de um calendário estadual das Paradas. Essa iniciativa visa fortalecer as estratégias de cooperação entre os diferentes territórios e amplificar a visibilidade das mobilizações. As datas de algumas Paradas já foram definidas: a de Arraial do Cabo será em 13 de setembro, e a de Copacabana, em 22 de novembro. A data da Parada de Madureira ainda não foi fechada, mas a expectativa é que também ocorra em novembro.

 

Ao final da plenária, está prevista a elaboração de 25 recomendações. Essas propostas têm como objetivo fortalecer os movimentos, definir prioridades de incidência política e sugerir futuras reuniões entre os representantes dos territórios.

 

“Fico muito feliz de ver esse movimento crescendo tanto pelo país. Hoje, são mais de 500 cidades brasileiras com Paradas. Se a gente for ver proporcionalmente, o Rio de Janeiro é o estado com maior número, levando em consideração que temos 92 municípios e mobilizações em 38 deles”


declarou Cláudio Nascimento, que finalizou: “É um período muito difícil, com muitas tentativas de impedir a liberdade de expressão e os movimentos sociais LGBT+ nas cidades. Continuamos o trabalho para fortalecer a nossa rede”.

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