As diversas Paradas do Orgulho LGBTI+ no estado do Rio de Janeiro estão unindo esforços para enfrentar desafios logísticos e promover direitos em um Encontro Estadual realizado neste sábado (25) no centro da capital. O evento, que reúne representantes de pelo menos 35 municípios, busca fortalecer a rede de apoio e a troca de experiências para garantir a visibilidade e a luta da comunidade.
A organização dos eventos, que celebram o orgulho LGBTI+, vai além da montagem de trios elétricos. Em Madureira, por exemplo, é necessário suspender a fiação elétrica dos postes para a passagem dos veículos. Além disso, as condições climáticas podem impactar a realização, como a chuva, que já impediu o desfile no passado.
“Não é igual à Copacabana, na Avenida Atlântica, onde os trios podem colocar coberturas contra a chuva e seguir desfilando tranquilos. Madureira tem outras dificuldades”
explicou Rogéria Meneguel, presidente e organizadora da Parada LGBT+ de Madureira. Ela complementou que, para lidar com essas questões, “Já aconteceu de chover muito em um ano e a Parada não conseguiu andar. Ficou, literalmente, parada. Desde o ano passado, estamos fazendo o evento dentro do Parque de Madureira, para lidar com essas questões”.
Os desafios enfrentados por bairros e cidades menores são distintos daqueles vivenciados na capital fluminense. O Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+ tem como objetivo primordial fortalecer a troca de vivências entre as lideranças de diferentes regiões, visando uma atuação mais coesa e eficaz.
“É fundamental que as cidades maiores também deem sustentação e suporte político, institucional e cultural para as cidades com maior dificuldade”
afirmou Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, responsável pela organização da Parada de Copacabana. Ele ressaltou a importância da colaboração: “O que deu certo para um pode servir de referência para outro. E nos reunimos para pensar juntos quais são as principais pautas da comunidade. Unidos, aumentamos as vozes e damos mais visibilidade para nossas lutas”.
A organização das Paradas não se restringe apenas a questões de estrutura e logística, mas também envolve o enfrentamento de reações conservadoras que tentam limitar os direitos e as demandas da população LGBTI+. Rafael Martins, presidente do coletivo Arraial Free, que organiza a manifestação em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, relatou que os últimos 14 anos foram marcados por uma luta contínua para levar o movimento às ruas.
“O município ainda tem muitas pessoas preconceituosas, sabe? Mas estamos resistindo e mostrando para a nossa região, muito conservadora, que nós existimos, estamos ali e que precisamos de políticas públicas para a população LGBTI+”
disse Rafael. Ele detalhou como as experiências locais contribuem para o debate coletivo: “Nós nos movimentamos, antes mesmo da Parada, com os comerciantes para pedir apoio e patrocínio. Contamos com parceiros na hotelaria e em mercados. Às vezes, é só um engradado de água, mas que já ajudam muito. O que eu tento levar para todo mundo é que não precisa ficar fissurado apenas na Prefeitura, no apoio institucional. Também podemos dar as mãos para quem está do nosso lado e avançar juntos”.
O evento, que não acontecia há dez anos, é organizado pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+. Ele conta com o suporte do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, do Teatro Carlos Gomes e da Secretaria Municipal de Cultura. Durante todo o dia, diversas rodas de debates estão programadas para abordar temas cruciais, como:
a estrutura institucional e a viabilidade dos eventos;
a organização prática das Paradas;
o engajamento social e o voluntariado;
a busca por apoios e patrocínios;
a promoção de direitos e a sustentabilidade ambiental;
e as agendas socioculturais.
Uma das metas do encontro é a construção coletiva de um calendário estadual das Paradas. Essa iniciativa visa fortalecer as estratégias de cooperação entre os diferentes territórios e amplificar a visibilidade das mobilizações. As datas de algumas Paradas já foram definidas: a de Arraial do Cabo será em 13 de setembro, e a de Copacabana, em 22 de novembro. A data da Parada de Madureira ainda não foi fechada, mas a expectativa é que também ocorra em novembro.
Ao final da plenária, está prevista a elaboração de 25 recomendações. Essas propostas têm como objetivo fortalecer os movimentos, definir prioridades de incidência política e sugerir futuras reuniões entre os representantes dos territórios.
“Fico muito feliz de ver esse movimento crescendo tanto pelo país. Hoje, são mais de 500 cidades brasileiras com Paradas. Se a gente for ver proporcionalmente, o Rio de Janeiro é o estado com maior número, levando em consideração que temos 92 municípios e mobilizações em 38 deles”
declarou Cláudio Nascimento, que finalizou: “É um período muito difícil, com muitas tentativas de impedir a liberdade de expressão e os movimentos sociais LGBT+ nas cidades. Continuamos o trabalho para fortalecer a nossa rede”.