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Lula defende reciprocidade após retirada de agente dos EUA do Brasil

Presidente apoia medida de Andrei Rodrigues após resposta dos EUA sobre policial brasileiro

23/04/2026 às 11:45
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à medida tomada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que resultou na retirada das credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que trabalhava na sede da Polícia Federal em Brasília.

 

Lula afirmou que a ação foi fundamentada no princípio de reciprocidade. O presidente comentou o episódio em vídeo publicado nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. Na ocasião, Lula declarou:

 

"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade"

 

O governo brasileiro tomou essa decisão em resposta à determinação do governo norte-americano, que exigiu a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, dos Estados Unidos. Marcelo Ivo de Carvalho participou da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota na rede X comunicando que a representante da embaixada dos Estados Unidos fora informada, no dia anterior, sobre a intenção do Brasil de aplicar o princípio de reciprocidade. O motivo alegado foi a decisão sumária dos Estados Unidos em relação ao agente brasileiro da Polícia Federal, sem que houvesse qualquer solicitação de esclarecimento ou abertura de diálogo sobre o caso, como estabelece o acordo bilateral de cooperação policial.

 

A nota do Itamaraty ainda ressaltou que a medida adotada pelos Estados Unidos não seguiu as boas práticas diplomáticas de diálogo entre países tradicionalmente parceiros, como Brasil e Estados Unidos, cuja relação ultrapassa duzentos anos.

 

O documento também destacou que o agente brasileiro atuava com base em um memorando de entendimento firmado entre ambos os governos, cujo objetivo é facilitar o intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança. O comunicado reiterou que o mesmo tratamento reservado ao agente brasileiro seria aplicado ao agente norte-americano.

 

Entenda o contexto da crise diplomática

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou, na última segunda-feira (20), que solicitou a saída de um "funcionário brasileiro" do território norte-americano. Apesar de não mencionar nomes, a mensagem faz referência ao delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Alexandre Ramagem, que foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi detido na Flórida por dois dias na semana anterior e libertado na quarta-feira (15). No ano anterior, o Supremo Tribunal Federal condenou Ramagem a 16 anos de prisão em ação penal relacionada a uma trama golpista, o que resultou na perda de seu mandato e fuga para os Estados Unidos como forma de evitar o cumprimento da pena.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio do pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

Segundo a Polícia Federal, a detenção de Ramagem pela imigração norte-americana foi possível graças à cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. A corporação informou que o ex-deputado foi capturado em Orlando e é considerado fugitivo da Justiça brasileira, após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

 

Reforço no efetivo da Polícia Federal

 

No mesmo vídeo divulgado nas redes sociais, Lula anunciou a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal. Segundo o presidente, a medida tem como finalidade fortalecer a atuação da corporação em portos, aeroportos e áreas de fronteira, integrando o conjunto de ações do governo para o combate ao crime organizado.

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