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Projeto incentiva estudantes de Petrópolis a liderar ações sociais

Alunos de escolas públicas participam de atividades ambientais, leitura, escrita e games para liderar ações na comunidade

02/05/2026 às 22:59
Por: Redação

Cerca de cem estudantes matriculados em escolas públicas do Alto da Independência, no município de Petrópolis, passaram a integrar uma iniciativa educacional que visa fortalecer o engajamento e a colaboração de crianças e adolescentes em atividades ligadas às suas comunidades.

 

O programa foi estruturado a partir de três eixos centrais: práticas em educação ambiental, estímulo à leitura e à escrita e fomento à criatividade dos participantes.

 

O desenvolvimento do projeto parte do princípio de que os estudantes têm autonomia para idealizar e executar ações concretas, sempre contando com o acompanhamento de professores. Teve seu início em 10 de março, envolvendo, nesta primeira etapa, três turmas. A meta é ampliar o alcance da ação para até 1,8 mil estudantes futuramente.

 

Victor Prado, responsável pela criação do projeto, enxerga na proposta uma possibilidade de ampliar o olhar dos jovens para questões frequentemente marcadas por estigma.

 

“Sustentabilidade não é custo, é oportunidade, assim como os games. Mas, antes de tudo, é fundamental que os estudantes se enxerguem como capazes e saibam comunicar suas ideias, daí a importância da leitura e da escrita diante das ferramentas digitais”, disse.


 

O surgimento da iniciativa, segundo Prado, resultou de anos de atuação junto a instituições públicas de ensino, sempre atento aos debates atuais sobre a presença da tecnologia na aprendizagem.

 

Na primeira etapa do projeto, foi implementado o Desafio Verde, um plano de educação ambiental que aposta em oficinas temáticas, dinâmicas de trabalho coletivo e mobilização local para transformar os alunos em agentes de soluções para questões ambientais da região.

 

No segundo eixo do programa, batizado de Vozes do Alto, as atividades focam principalmente em leitura, escrita e produção de conteúdo. Os jovens são convidados a observar o ambiente em que vivem e relatar experiências locais, transformando-as em narrativas próprias.

 

O terceiro componente, chamado Arquitetura de Games, é voltado para apresentar os jogos digitais como expressão cultural, campo de inovação tecnológica e ponto de partida para discussões sobre criatividade, design, trabalho em grupo e possibilidades profissionais.

 

Samuel Barros, criador de conteúdo sobre games há mais de uma década no YouTube e também morador do Alto da Independência, atua como professor no projeto e é um dos organizadores do Torneio Intercolegial de Games. Ele destacou o envolvimento espontâneo dos alunos nas diferentes etapas.

 

“No princípio, eu pensei que apenas o projeto de games seria o que mais despertaria interesse dos alunos, porém, os três projetos foram muito bem recebidos”, disse.


 

“Apesar de darmos recompensas para os projetos mais criativos apresentados, nós percebemos que o interesse deles pelo projeto está muito além de quererem receber algo em troca. Isso foi uma das coisas que mais me chamou atenção”, completou.


 

Atualmente, a iniciativa envolve duas instituições: a Escola Municipal Alto Independência e o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Santos Dumont. De acordo com Victor Prado, devido à procura dos alunos, existe a perspectiva de abertura de novas turmas já na próxima semana.

 

Participação dos jovens e tendências para o futuro da educação

 

Dados de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2025 apontaram que, para quatro a cada dez estudantes brasileiros, a presença de aulas práticas é essencial para o conceito de “escola do futuro”.

 

O levantamento revelou que 41% dos alunos do 6º e 7º ano, assim como 39% dos estudantes do 8º e 9º ano, atribuem a mesma importância às atividades práticas e às práticas esportivas. Outras atividades mencionadas como relevantes incluem aquelas voltadas à tecnologia e ao uso de mídias digitais.

 

Essas estatísticas fazem parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, que reúne a percepção de 2,3 milhões de jovens de todos os estados brasileiros. O relatório é fruto de uma parceria entre o MEC, o Itaú Social, o Consed e a Undime.

 

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.

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