O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira, dia 20, que solicitou que um agente brasileiro deixe o território norte-americano. A instituição não revelou o nome do servidor, porém, indicou que o profissional é um delegado da Polícia Federal brasileiro vinculado à detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos.
A decisão foi divulgada por meio de uma postagem na rede social X, na qual o órgão afirmou que o funcionário brasileiro tentou evitar os procedimentos formais de cooperação jurídica entre os dois países.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, declarou o escritório na publicação.
Até o presente momento, nem a Polícia Federal nem o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) emitiram comunicados detalhados sobre a solicitação realizada pelo governo dos Estados Unidos.
No caso que motivou o pedido, Alexandre Ramagem, que foi ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal, foi preso pelo serviço de imigração dos EUA. Ele estava nos Estados Unidos desde que se tornou alvo de um pedido formal de extradição, enviado em dezembro de 2025 pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por intermédio do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil.
Conforme divulgado pela Polícia Federal em abril, a detenção de Ramagem ocorreu em Orlando, Flórida, e foi resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. Segundo a corporação, o ex-deputado é considerado foragido da Justiça brasileira, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão devido à participação em crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito. Após a sentença, ele perdeu o mandato parlamentar e deixou o Brasil para não cumprir a pena, passando a residir em solo norte-americano.
Ramagem foi liberado na última quarta-feira, dia 15, após permanecer detido durante dois dias na Flórida.