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Delegações de Cuba e EUA debatem embargo energético em Havana

Diplomatas cubanos exigem fim do embargo energético e defendem negociações em condições de respeito mútuo

21/04/2026 às 11:37
Por: Redação

Representantes do Ministério das Relações Exteriores de Cuba e membros do Departamento de Estado dos Estados Unidos estiveram reunidos recentemente em Havana para uma sessão de trabalho focada nas relações bilaterais. A confirmação do encontro foi feita por Alejandro García, diretor-geral adjunto para os Estados Unidos do Ministério das Relações Exteriores cubano.

 

De acordo com García, as discussões foram conduzidas em tom respeitoso e profissional, sem que fossem definidos prazos ou apresentadas exigências coercitivas, conforme alegado por alguns veículos de imprensa norte-americanos. O diplomata ressaltou a importância de manter a discrição nessas reuniões, devido à natureza sensível dos temas discutidos.

 

Durante o encontro, a delegação cubana estabeleceu como prioridade máxima a solicitação para que a Casa Branca suspenda o embargo energético imposto ao país caribenho. García enfatizou que essa medida prejudica toda a população da ilha e representa uma forma de chantagem no cenário internacional, restringindo o direito de outros Estados, de acordo com o livre comércio, exportarem combustível para Cuba.

 

“Eliminar o bloqueio energético contra o país era uma prioridade máxima para nossa delegação. Esse ato de coerção econômica é uma punição injustificada para toda a população cubana. É também uma forma de chantagem em escala global contra Estados soberanos, que têm todo o direito de exportar combustível para Cuba, de acordo com os princípios do livre comércio”, enfatizou.

 

García detalhou que, pelo lado norte-americano, participaram secretários-adjuntos do Departamento de Estado, enquanto representantes cubanos atuaram no nível de vice-ministro das Relações Exteriores.

 

Impactos do embargo energético

 

Desde 29 de janeiro, o governo dos Estados Unidos, ainda sob a presidência de Donald Trump, intensificou o bloqueio econômico de longa data contra Cuba. Por meio de uma ordem executiva, foi declarado estado de emergência nacional, considerando Cuba uma ameaça incomum e extraordinária à segurança norte-americana.

 

Com essa medida, o governo de Washington ficou autorizado a aplicar sanções a países que tentarem fornecer petróleo para Cuba, seja de maneira direta ou indireta. Essa decisão trouxe como consequência a escassez de combustível no território cubano, afetando o cotidiano da população local.

 

As autoridades cubanas reafirmaram sua disposição para dialogar com representantes dos Estados Unidos, desde que as conversas ocorram com base no respeito mútuo e sem interferências nos assuntos internos do país.

 

Disponibilidade para diálogo bilateral

 

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, em entrevista recente ao veículo americano Newsweek, declarou que considera possível manter conversações com o governo dos Estados Unidos para buscar acordos em diversas áreas, como ciência, migração, combate ao narcotráfico, meio ambiente, comércio, educação, cultura e esportes.

 

Ele afirmou que o diálogo precisa ser "em termos de igualdade" e sempre respeitando a soberania, o sistema político, a autodeterminação e o direito internacional.

 

Posteriormente, em participação no programa Meet the Press, da NBC News, Díaz-Canel destacou sua posição diante das negociações entre os dois países:

 

"Podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA."

 

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