No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego no Brasil foi registrada em 6,1%, atingindo o menor índice já observado para esse período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012. Apesar desse percentual superar o apurado no quarto trimestre de 2025, quando foi de 5,1%, o indicador representa uma significativa melhora em relação a trimestres anteriores.
Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Rio de Janeiro, apontam que, nos três primeiros meses do ano passado, a taxa de desocupação havia sido de 7%. O levantamento mostra que desde o trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa de desemprego não ultrapassava 6%. No trimestre móvel finalizado em fevereiro de 2026, esse índice foi de 5,8%.
O IBGE ressalta que não recomenda comparar meses imediatamente subsequentes, devido à sobreposição de informações, já que os dados de fevereiro, por exemplo, aparecem em dois relatórios consecutivos da pesquisa. Por esse motivo, a comparação é feita em relação ao quarto trimestre de 2025.
Ao final do trimestre, o contingente de pessoas em busca de emprego, denominado população desocupada, chegou a 6,6 milhões. Esse número é 19,6% maior (acréscimo de 1,1 milhão) em comparação ao quarto trimestre de 2025. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, observa-se uma redução de 13%.
A quantidade de pessoas ocupadas no país ficou em 102 milhões, o que representa uma diminuição de 1 milhão em relação ao último trimestre de 2025, mas um aumento de 1,5 milhão no comparativo anual com o mesmo período de 2025.
O comportamento observado no mercado de trabalho durante o primeiro trimestre de 2026 reflete efeitos sazonais comuns a essa época do ano, conforme explicou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE.
“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.”
Em relação aos dez agrupamentos de atividades pesquisados pelo IBGE, não houve crescimento no número de pessoas ocupadas em nenhum deles. Três setores apresentaram redução expressiva:
- Comércio, com queda de 1,5%, o que corresponde a 287 mil pessoas ocupadas a menos;
- Administração pública, redução de 2,3%, equivalente a 439 mil trabalhadores;
- Serviços domésticos, retração de 2,6%, ou 148 mil pessoas a menos atuando nessa área.
A despeito do aumento da taxa de desemprego no início do ano em relação ao trimestre imediatamente anterior, o país registrou uma queda na informalidade. No trimestre encerrado em março de 2026, a proporção de trabalhadores informais atingiu 37,3% da população ocupada, o que representa 38,1 milhões de brasileiros atuando sem acesso a direitos trabalhistas formais.
No final de 2025, essa taxa era de 37,6%, e no mesmo trimestre do ano anterior, 38%.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado manteve-se estável no trimestre, somando 39,2 milhões, porém com crescimento de 1,3% (acréscimo de 504 mil pessoas) em 12 meses.
Já o grupo de trabalhadores do setor privado sem carteira assinada teve queda de 2,1% (redução de 285 mil pessoas) no trimestre, atingindo 13,3 milhões. Em termos anuais, esse contingente apresentou estabilidade, sem variação estatisticamente relevante.
Os trabalhadores por conta própria totalizaram 26 milhões, sem alteração significativa em relação ao trimestre anterior, mas houve aumento de 2,4% (607 mil pessoas a mais) na comparação com o primeiro trimestre de 2025.
A pesquisa do IBGE avalia as condições do mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais, considerando distintas formas de ocupação, incluindo trabalho com ou sem carteira assinada, atividades temporárias e trabalho por conta própria. Segundo os critérios do IBGE, são consideradas desocupadas apenas as pessoas que procuraram vaga de trabalho nos 30 dias anteriores à pesquisa. O levantamento é realizado em 211 mil domicílios de todos os estados e do Distrito Federal.
Vale destacar que a Pnad é divulgada após o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), outra ferramenta de análise do mercado de trabalho, produzida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que acompanha exclusivamente os trabalhadores com carteira assinada.
Segundo o Caged, o saldo de empregos formais em março de 2026 foi positivo, com a criação de 228 mil novas vagas. No acumulado dos últimos 12 meses, houve geração de 1,2 milhão de postos de trabalho com carteira assinada.