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Salário médio do trabalhador atinge recorde de 3.722 reais no início de 2026

Rendimento médio do trabalhador sobe 5,5% em um ano e informalidade atinge 37,3%.

01/05/2026 às 02:34
Por: Redação

O rendimento mensal médio dos trabalhadores brasileiros alcançou, no primeiro trimestre de 2026, o valor de 3.722 reais. Esse montante representa um crescimento real de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, já considerando o desconto da inflação. Este é o maior valor já registrado desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que teve início em 2012.

 

Este é o segundo trimestre consecutivo em que o salário médio supera o patamar de 3.700 reais. No trimestre encerrado em fevereiro de 2026, o valor médio havia sido de 3.702 reais. Em comparação com o quarto trimestre de 2025, quando a média foi de 3.662 reais, o aumento registrado chegou a 1,6%.

 

Comportamento dos rendimentos e setores de atividade

No levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram avaliadas informações referentes a dez grupos de atividades econômicas. Oito desses grupos apresentaram estabilidade nos rendimentos médios, sem oscilações significativas. Apenas dois setores registraram elevação no salário médio: no comércio, houve acréscimo de 3%, correspondendo a 86 reais a mais; já na administração pública, o aumento foi de 2,5%, representando 127 reais adicionais.

 

Fatores que impulsionaram a alta do salário médio

Segundo avaliação de Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, parte desse avanço pode ser creditada ao reajuste do salário mínimo, que no início de janeiro passou a ser de 1.621 reais.

 

“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].”

 

Beringuy também chama atenção para outro aspecto: no primeiro trimestre de 2026, houve redução de um milhão de pessoas na quantidade de trabalhadores ocupados em relação ao trimestre anterior. Essa diminuição ficou mais concentrada entre os trabalhadores informais, que, em geral, possuem rendimentos inferiores.

 

Ela ressalta que, por conta dessa retração no contingente de trabalhadores informais, a média salarial dos ocupados no primeiro trimestre de 2026, se comparada ao trimestre imediatamente anterior, acabou sendo superior.

 

Massa salarial registra novo recorde

Além do aumento no rendimento médio, o IBGE informou que a soma dos salários pagos a todos os trabalhadores, também chamada de massa de rendimento, atingiu 374,8 bilhões de reais. Este valor é o maior já verificado desde o início da série histórica da pesquisa.

 

Esse volume de recursos é utilizado de diversas formas pelos trabalhadores, seja para consumo, pagamento de dívidas, investimentos ou para poupança.

 

Comparando com o primeiro trimestre de 2025, a massa salarial cresceu 7,1% em termos reais, ou seja, acima da inflação. Esse aumento representa 24,8 bilhões de reais a mais circulando nas mãos dos trabalhadores ao longo de um ano.

 

Contribuição previdenciária chega ao maior índice da série

No decorrer do primeiro trimestre de 2026, a proporção de trabalhadores ocupados que contribuíram para algum instituto de previdência ficou em 66,9%. Este é o maior percentual já alcançado pela pesquisa, equivalente a 68,174 milhões de pessoas com proteção social.

 

Ao realizar contribuições para a previdência, o trabalhador passa a contar com garantias, como aposentadoria, pensão por morte e benefícios em caso de incapacidade.

 

No grupo de contribuintes incluem-se empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e profissionais autônomos que efetuam pagamentos para institutos de previdência oficiais, sejam eles federais (como o INSS ou o Plano de Seguridade Social da União), estaduais ou municipais.

 

De acordo com Adriana Beringuy, o recorde de participação está diretamente associado à queda da informalidade. Ela explica que os trabalhadores informais contribuem em menor número para a previdência.

 

No trimestre encerrado em março, a taxa de informalidade foi de 37,3% da população ocupada, o que corresponde a 38,1 milhões de trabalhadores. Esses indivíduos não contam com direitos trabalhistas garantidos. No final de 2025, esse índice era de 37,6%. Já no primeiro trimestre do ano passado, chegava a 38%.

 

O IBGE esclareceu que, mesmo entre os trabalhadores informais, como os autônomos sem CNPJ, existe a possibilidade de contribuir individualmente para o INSS.

 

Menor índice de desemprego para o período

A Pnad Contínua, principal instrumento de avaliação do emprego no país, analisa o comportamento do mercado de trabalho entre pessoas a partir de 14 anos de idade, abrangendo trabalhadores com ou sem carteira assinada, temporários e autônomos.

 

No primeiro trimestre de 2026, a taxa de pessoas sem emprego ficou em 6,1%, o menor nível já observado para o período desde o início da série histórica. Para fins de estatística, o IBGE considera desempregado apenas quem buscou vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa. O levantamento abrange visitas a 211 mil domicílios distribuídos em todas as unidades federativas e no Distrito Federal.

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