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Entidades pedem corte maior na Selic após decisão do Copom

Federações e sindicatos avaliam que juros elevados restringem crédito e investimentos mesmo após redução para 14,5% ao ano.

30/04/2026 às 16:58
Por: Redação

A recente redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi vista como insuficiente por representantes do setor produtivo e de sindicatos, que chamaram atenção para impactos negativos sobre investimentos, consumo e renda das famílias e empresas.

 

Com a decisão do Banco Central, a Selic passou de 14,75% para 14,50% ao ano. Mesmo com essa diminuição, organizações ligadas à indústria, ao comércio e ao trabalho consideram que o patamar dos juros permanece elevado e continua exercendo pressão sobre a economia.

 

Indústria aponta dificuldades para investir

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera pequeno o corte realizado pelo Copom e ressalta que o custo do crédito segue elevado. Para a entidade, essa situação prejudica o ambiente de investimentos e a competitividade do setor manufatureiro.

 

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.


 

Segundo a CNI, a saúde financeira de empresas e famílias também sofre deterioração nesse cenário. A instituição ressaltou que os níveis de endividamento batem recorde mês a mês, o que fragiliza o conjunto da economia brasileira.

 

Comércio critica ritmo do Banco Central

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também expressou insatisfação com a decisão. Para a entidade, o Banco Central poderia ter avançado mais na redução dos juros já na reunião anterior do Copom.

 

De acordo com Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, o atual patamar da taxa Selic prejudica a economia nacional.

 

“Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também”, disse Queiroz.


 

Na avaliação da associação, os juros elevados estimulam a movimentação de capitais especulativos, em detrimento do setor que gera bens e serviços.

 

Sindicatos reforçam críticas à política monetária

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, ligada à Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT), questionou o ritmo de redução da Selic e destacou o impacto da política monetária sobre a renda dos trabalhadores.

 

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da entidade.


 

Juvandia reforçou que a taxa básica de juros influencia todas as operações do sistema financeiro.

 

“Quando a Selic sobe, os bancos cobram mais caro no crédito. Quando cai, o crédito fica mais barato, mas essa redução ainda é insuficiente”, declarou.


 

A Força Sindical também considerou a decisão tímida e salientou que a manutenção dos juros elevados reflete negativamente sobre a economia nacional.

 

“A redução foi tímida e mantém os juros em patamar elevado”, declarou a organização em nota oficial.


 

A central sindical apontou que juros altos limitam os investimentos, impedem o avanço da produção e dificultam a ampliação de empregos e a geração de renda para a população.

 

Além disso, a entidade associou o aumento do endividamento das famílias ao elevado custo do crédito praticado no país.

 

Reivindicação por cortes mais expressivos nos juros

Apesar das diferenças entre indústria, comércio e sindicatos, as entidades convergem ao avaliar que há espaço para acelerar o ritmo de redução da Selic.

 

Organizações dos três setores compartilham o entendimento de que o atual patamar da taxa básica de juros impõe restrições relevantes ao crescimento econômico, limita o acesso ao crédito e prejudica o consumo, afetando de maneira ampla a economia nacional.

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